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A demonização do jogo reativo

Por: Rômulo Diego Moreira

 

Nos últimos anos, o futebol brasileiro tem mudado. As equipes vêm adotando um modelo de jogo mais baseado na defesa e saída rápida nos contra-ataques. Alguns jornalistas especializados têm criticado com ênfase a mudança e, consequentemente, influenciando a opinião pública sobre a prática. Afinal, você sabe o que é o jogo reativo?

Em A Arte da Guerra, Sun Tzu formula um conceito que pode ser usado como fundamento para explicar essa dinâmica no futebol: “Tenham como princípio que só se pode ser vencido por erro próprio e que só se atinge a vitória por erro inimigo”, argumenta. Essa estratégia tem como base esperar o adversário tomar as ações do jogo. Ou seja, a equipe que prefere reagir ao adversário, seja esperando no contra-ataque, seja marcando pressão ou no campo de ataque. É possível pensar a lógica da relação dos atores do espetáculo, espaço e tempo, não da perspectiva do controle da bola, mas das falhas deixadas pelo possuidor da bola. Todos têm desequilíbrios.

A maior referência nesse estilo de jogo é o Liverpool. A equipe inglesa aplica o jogo reativo com maestria. Na formação defensiva, ele faz um 4-3-3 com linhas extremamente compactas e se agrupam na bola longa para ganhar a sobra. O jogo é baseado em ligação direta. A compactação sempre possibilita dobrar a marcação no meio-campo, recuperar a bola e rapidamente procurar o contra-ataque. É importante lembrar que quando o adversário ataca, os jogadores de lado, Salah pela direita, e Mané pela esquerda, voltam à linha de meio-campo para fechar ainda mais os espaço fazendo um transitório 4-5-1. O brasileiro Firmino fica por dentro. Ele se destaca sendo um dos melhores roubadores de bola do Reds. No ataque, chama atenção a transição ofensiva. Ou seja, após os lançamentos longos, o agrupamento é tão bem feito que rapidamente que os três atacantes pisam na área adversária. E o sistema de marcação é progressivo, isto é, aumenta a intensidade de marcação conforme o oponente avança. No Brasil, o Cruzeiro, talvez o melhor clube brasileiro taticamente, também joga desta maneira.

Na Copa do Mundo, Klopp foi a maior referência. Suas concepções foram adaptadas às seleções, muito mais do que os princípios de Pep Guardiola de posse de bola e controle do jogo. Os estudos apontam que a maioria dos gols sai de bola parada e depois em jogadas de contra-ataque, ou seja, fundamentando a importância da dinâmica do jogo reativo. A narrativa de demonização do jogo reativo não faz muito sentido. O futebol não é homogêneo. Pelo contrário, ele é plural de ideias e conceitos. É vibrante ver as distintas possibilidades do jogo. Por que todos deveriam jogar da mesma forma? É possível compreender o futebol como a formulação de uma estratégia, a aplicação dessa dinâmica na partida, na tentativa de dominar o adversário e, finalmente, a técnica rabiscando o conceito. Afinal, futebol é arte.




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